A Subsecretaria de Políticas para a Mulher (Semu) realiza o primeiro mapeamento da violência contra a mulher na capital. O Mapa da Violência contra a Mulher em Campo Grande/MS – 2017 apresentará os índices de violência da capital por região, distrito e perfil da vítima. O mapa deve ser elaborado no prazo de doze meses e custará R$ 300.000,00. No ano de 2016, 6,5 mil casos de violência contra a mulher foram registrados na Delegacia de Atendimento à Mulher em Campo Grande.
Segundo a assessora de Ações Temáticas da Subsecretaria de Políticas para a Mulher (Semu), Marina Rosa Bragança o mapeamento terá dados da Casa da Mulher Brasileira. A empresa que produzirá o Mapa também utilizará os dados registrados pela Secretaria Municipal de Saúde, Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher, Promotoria de Justiça, Defensoria Pública, 3ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, e Núcleos de Estudo da Violência. Marina Rosa Bragança afirma que “por ausência de um mapeamento que aponte, minimamente, os números da violência, e por entender que uma política pública deva ter como base um diagnóstico situacional, torna-se relevante a realização do mapeamento”.
A expectativa é de que a Semu tenha um diagnóstico completo da situação de violência que vitimiza as mulheres campo-grandenses e planejar ações “que venham se caracterizar pela eficácia, eficiência e efetividade, além de dispor de um banco de dados a ser alimentado, atualizando as informações”. A assessora de Ações Temáticas da SEMU, Marina Rosa Bragança afirma que o único dado do qual eles dispõe atualmente é o número de 13.151 mulheres que passaram pela Casa da Mulher Brasileira, no ano de 2016.
A técnica do Núcleo de Enfrentamento a Violência da Subsecretaria Estadual de Políticas Públicas para as Mulheres, Rebeca Mendes afirma que mapear a violência contra a mulher é importante para se ter um ponto de partida e conhecer o perfil das denúncias. “É violência doméstica contra a mulher, é o feminicídio? O que está acontecendo mais no município?”.
Para a técnica do Núcleo de Enfrentamento à Violência, Amélia Luna a violência contra a mulher acontece em todas as classes sociais. "As mulheres com maior poder aquisitivo sofrem violência e não assumem, pois preferem resolver de maneira mais discreta para não gerar escândalos e, até mesmo, para não perder o prestígio, por isso a maioria dos registros são de mulheres com vulnerabilidade social".
A socióloga Ana Maria Gomes afirma que o machismo é a principal causa da violência contra a mulher. “A mulher tem os salários mais baixos, tem que cuidar dos filhos, fazer o trabalho doméstico. Isso faz com que os homens se sintam legitimados a exercer violência, física ou psíquica, contra a mulher. E não só contra a sua mulher.” Ana Maria Gomes ressalta que a violência contra a mulher é uma relação social construída culturalmente, por isso em determinados locais há mais violência que outros.