VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Denúncias de violência doméstica no Mato Grosso do Sul crescem 6% entre 2015 e 2017

Entre março de 2015 e dezembro de 2017, o número de denúncias de violência doméstica correspondeu a 30,8 de cada mil mulheres sul-mato-grossenses

Marcelle Marques, Lucas Silva, Karina Cantiere19/03/2018 - 11h18
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O número de denúncias sobre violência doméstica cresce 6% de 2015 a 2017 no estado de Mato Grosso do Sul, segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS). As mulheres vítimas de violência formalizaram 18475 denúncias em 2017. De janeiro de 2018 até o dia oito de março (Dia Internacional da Mulher) foram registrados, de acordo com a Sejusp, 3076 casos de violência doméstica em todo o estado.

Segundo a historiadora Dra. Dilza Porto “quanto mais se fala, quanto mais se divulga e se mostra os canais onde a mulher pode ser ouvida, facilita um pouco mais a vida delas, pois não é fácil sair de uma situação de violência, principalmente quando ela é doméstica”. Esse aumento do número de denúncias de acordo com a doutora é potencializada pela mídia, ONG’s e projetos governamentais. “Quando as ONG’s e o governo fazem propaganda, fazem toda uma ação de marketing através das mídias acerca do assunto, empodera um pouco essas mulheres, assim elas conseguem se libertar mais facilmente, não que seja fácil sair de uma situação de violência.”

Pesquisa do Departamento de Pesquisas Judiciárias do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelou que entre março de 2015 e dezembro de 2017, o número de denúncias de violência doméstica correspondeu a 30,8 de cada mil pessoas da população feminina no estado de MS, o maior índice do Brasil, mais que o dobro da média nacional de 12,3 mulheres a cada mil pessoas.

A advogada e presidente da Comissão de Combate à Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher (Comcevid), Carine Giaretta afirma que “é necessário a divulgação maciça e esclarecedora para as possibilidades de denúncia e como fazer essa denúncia e a mulher vai cada vez mais entendendo que o que ela sofre é uma violência e que essa violência pode virar um boletim de ocorrência, que ela pode sair desse ciclo de violência e que ela pode propor uma ação judicial, assim cada vez mais esse número de denúncias aumentam até chegar num patamar que os casos de violência doméstica vão ficando lineares e a tendência é diminuir.”

A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS) realizou, no dia 12 de março, a uma série de palestras sobre violência contra a mulher. com a participação de Carine Giaretta e da presidente da Comissão dos Idosos, das Pessoas com Deficiência e da Acessibilidade (Codiped), Rita de Cássia Luz. A presidente da Codiped afirma que palestras como essa são importantes para detalhar os direitos das mulheres, principalmente da mulher com deficiência, que segundo ela, “geralmente está inserida na periferia, onde os meios de transporte são mais difíceis e mais demorados, então esse acesso tem de ser propiciado cada vez mais”.

O advogado e organizador do evento, Ricardo Pereira afirma que nos dias 17 e 18 de maio a OAB realizará a primeira Conferência da Mulher, sobre os direitos da mulher, no Diamond Hall, evento que terá a primeira participação de Maria da Penha em uma palestra no estado. Para ele, “os níveis de violência não aumentaram. O que efetivamente aumentou foi a denúncia”. Pereira sugere caminhos para que a igualdade de gênero presente na Constituição se torne uma realidade.

Serviço
Denúncias sobre violência contra a mulher ligar para o número 180 ou procurar as delegacias especializadas de atendimento.

Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, plantão 24h.
Rua Brasília, s/n, Jardim Ima, Campo Grande.

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