CULTURA

Fomento da Lei Aldir Blanc ampara autores em lançamento de livro digital

Autores do e-book "O pequeno Macedônio", Henrique Komatsu e Fabio Quill lançam obra financiada pela Lei Aldir Blanc

Alison Silva, Daniel Rockenbach e Fábio Faria22/04/2021 - 13h55
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O lançamento do e-book infantil “O Pequeno Macedônio”, de autoria do filósofo Henrique Komatsu e do artista visual e quadrinista Fábio Quill, foi premiado em março deste ano. A obra foi realizada com fomento governamental por meio da Lei Aldir Blanc, lei que ampara artistas durante a pandemia de Covid-19. Os artistas se conheceram por meio do grupo de literatura 'Vórtice Literário', e o convite para ilustrar o e-book infantil veio pouco tempo depois.

Uma das exigências do edital era de que o trabalho fosse coletivo e com participação de outros artistas locais, fator que aproximou os artistas. O escritor teve dificuldades para encaixar o conteúdo nas propostas  do edital.  Os autores concluiram, após análise da Lei Aldir Blanc e do edital, que um e-book seria ideal para o conteúdo, que recebeu o texto de Komatsu e as ilustrações de Quill. 

Komatsu diz que "por meio de um edital da Lei Aldir Blanc, tanto e-book quanto videobook ganharam forma". O escritor pontua que o formato digital foi uma imposição do edital. "Agora, em meio a uma pandemia, acredito que fez muito sentido, pois a manufatura e a distribuição do livro puderam e podem ser feitos virtualmente, já o formato impresso não permitiria amplo acesso da população, e visto que o projeto é financiado com verba pública, colocar o ebook no formato digital permite isso por meio do download gratuito".

Segundo Quill, o edital ocorreu em duas etapas. “A primeira etapa foi o valor de abertura do edital e a segunda etapa se baseou num acréscimo de valores sobraram do inciso que era dos espaços” O autor pontua que a ampliação do projeto, possível em função da extensão da verba cedida pela Lei Aldir Blanc, permitiu que os autores buscassem outros profissionais para realizarem a dramatização do livro, assim como o trabalho audiovisual.

De acordo com o escritor era importante que os profissionais do videobook fossem capazes de passar a mensagem do livro para o video.“Pensamos que seria legal um contador de história ao invés de um ator, dublador, algo nessa linha; pela aproximação que os contadores de histórias têm com histórias infantis, pensei na Elaine Guarani e no companheiro dela, que fazem esse trabalho. Para a produção do vídeo, Komatsu e Quill buscaram o pessoal da 'Lamor', com o 'desafio' de compor uma equipe capaz para realizar o projeto estava feito”.

Komatsu diz que "este foi um dos grandes méritos da Lei Aldir Blanc, que esta (lei), colocou diversos artistas em contato, obrigando-os a trabalhar junto, a descobrirem os potenciais mútuos e perceberem que estão próximos, na mesma cidade”. Segundo Komatsu, interessante seria se as verbas não fossem apenas para uma lei emergencial, e sim que esta (lei) se transformasse em uma política pública permanente de efetivo fomento da cultura local. Além disso, ressalta que "a Lei Aldir Blanc tem potencial para criar obras locais, bem como tem potencial para dar suporte para a 'coletividade artística'".

De acordo com a gestora de Atividades Culturais no setor de Letras na Fundação de Cultura do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul Melly Sena, foram distribuídos cerca de 40 milhões de reais, e destes, 20 milhões divididos entre todos os municípios, de acordo com o quantitativo populacional de cada município, e outros 20 milhões por parte do estado. A servidora  trabalha no setor de literatura bibliotecas de Mato Grosso do Sul. Indicada para representar a sociedade civil no setor, pontuou ter a tarefa de formar o Colegiado Municipal de Literatura, formado em meados de julho do ano passado.

Melly Sena afirma que “quando saiu a regulamentação, esta ‘explicava e não explicava’ o que fazer, e com isso, o maior desejo tanto dos administradores públicos, quanto da classe era de que não precisasse ser regida pela Lei 866 de 1993”. De acordo com a servidora, a regulamentação dos editais dificultaram os processos. ''De um lado nós temos os artistas que precisam ou precisavam receber o dinheiro dentro do cenário de pandemia, por outro lado os administradores públicos, que se não aplicassem corretamente esse dinheiro estariam sujeitos à  Lei  866 de 1993, visto que esta é a lei das licitações que ainda está em vigor, o que acabou por gerar uma crise de momento na sociedade civil e no estado”. Diretor da Companhia de Teatro Flor e Espinho Anderson Lima, destacou a importância da Lei Aldir Blanc durante a pandemia de Covid-19. O ator se apresenta como palhaço em escolas e festivais e disse que "sem a presença do público neste período de pandemia, estou aprimorando algumas técnicas, além de auxiliar outros profissionais do setor".

Melly Sena relata que Quill e Komatsu passaram por sua avaliação enquanto integrante do comitê gestor, não acompanhou os autores de “O Pequeno Macedônio” após aprovação do projeto e consequentemente do fomento por parte da Lei Aldir Blanc. De acordo com a redatora do projeto cultural “Rolê 067” Ana Ostapenko, "todo o edital é extremamente burocrático no que tange essa juntada de documentos. No momento pandêmico no qual estamos vivendo, muitos artistas estão sem renda e muitos têm que negociar a regulamentação de seus trabalhos".

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