O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso do Sul (SindJor-MS) atende 54 municípios do estado, inclusive a capital Campo Grande, onde está localizada a sua sede. Neste o ano, o SindJor-MS completa 31 anos e tem 640 jornalistas filiados. Atualmente, uma das principais preocupações é a diminuição do número de associados, que reflete a falta de interesse e a falta de conhecimento de muitos jornalistas sobre seus direitos. Para esclarecer algumas dúvidas e falar mais sobre o assunto, entrevistamos a vice-presidente do SindJor-MS Elcilene Holsback de Abreu Pedrosa, que atualmente está na presidência interina do sindicato, por motivo de afastamento médico do atual responsável pelo cargo, Geraldo Ferreira.
Qual a importância dos jornalistas serem sócios do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso do Sul (SindJor-MS)?
A filiação ajuda a fortalecer a causa dos jornalistas. O SindJor-MS trabalha de modo a ajudar o jornalista a defender seus direitos e auxiliar para que o profissional exerça sua função da melhor forma possível. A filiação colabora também com o desenvolvimento do sindicato. Sempre esperamos que com os novos afiliados, venham novas propostas e novas ideias para ajude o sindicato a desenvolver cada vez melhor o seu trabalho.
Por que a maioria dos jornalistas não se interessam em se afiliar ao sindicato?
O sindicato tem buscado trazer os jornalistas aqui, para conhecer melhor o trabalho. Mas talvez seja falta de interesse ou falta de conhecimento. Por isso, é importante começar esse trabalho nas salas de aula. Fazer o acadêmico entender que depois de formado, ele tem um respaldo, ele tem alguém que o apoie dentro da sua carreira. Talvez seja isso. Ainda não existe o interesse que surge desde a época da faculdade, então nosso objetivo é trazer mais jornalistas para o sindicato.
Por que o Sindjor-MS não tem uma estrutura física maior?
É uma questão financeira. O SindJor-MS está localizado neste local há muitos anos, o espaço atende a demanda dentro do possível, mas ainda não temos uma sede própria, este espaço é alugado. Talvez com um número maior de sócios e uma participação mais efetiva da classe, tenhamos um espaço mais apropriado para atender os jornalistas que nos procuram.
De onde vem os recursos para o SindJor-MS?
Os recursos vem das filiações, com uma mensalidade de trinta e quatro reais paga pelos associados e também pela contribuição sindical não obrigatória, onde o jornalista direciona essa contribuição para o sindicato, que vai ser descontada obrigatoriamente do seu salário geralmente no mês de abril. Esta ação colabora com a estrutura e com a manutenção do sindicato.
O sindicato pode passar por um período de transição devido ao afastamento do seu presidente?
Estamos realmente em um período delicado, mas esperamos que até o início de dezembro o presidente Geraldo Ferreira retorne. Ele solicitou um afastamento, o qual ele tem direito, devido a problemas de saúde.
Quais são as ações que o sindicato pretende articular sob o comando de Geraldo Ferreira ou de um novo presidente?
Em relação ao Geraldo, não posso responder. Antes do Geraldo se afastar, estávamos a trabalhar com acordos coletivos de algumas empresas de Campo Grande e pretendemos dar continuidade neste tipo de ação. Também pretendemos retomar algumas ações sociais do sindicato, para aumentar o numero de jornalistas filiados. Outro aspecto que nos preocupa são as denúncias feitas por jornalistas, que devemos encaminhar ao Ministério do Trabalho. No momento, são essas nossas principais ações.
Como é visto o sindicato dentro das universidades?
Percebemos que a maioria dos estudantes de jornalismo sabem que existe um sindicato para a categoria, mas não tem conhecimento em relação a importância profissional que o sindicato significa para os jornalistas. O sindicato pretende ir às universidades, mas também contamos com o apoio dos professores para esta ação.
O SindJor-MS tem a intenção de se aproximar da Universidade por meio de quais atividades?
Isso ainda não foi decidido. O ideal primeiramente seriam visitas e palestras às universidades.
Em quais tipos de situações o SindJor-MS é mais acionado?
Acordos coletivos e denúncias que descumprem acordos trabalhistas em relação aos jornalistas.
Quais são os maiores desafios que o SindJor-MS enfrenta atualmente?
O reconhecimento da profissão é o maior dos desafios. Tivemos um momento triste para a categoria, com a queda do diploma. Porém, a situação observada é que a maioria das empresas contratam, na maioria das vezes, profissionais formados. E outros desafios são fazer a conscientização das empresas para o cumprimento da carga horária, evitar que as empresas exponham estagiários a uma carga horária excessiva, estar atento a questão salarial da categoria e acima de tudo, respeitar o trabalho dos jornalistas.
O SindJor-MS articula ações para contribuir ao retorno da obrigatoriedade do diploma para o exercício do Jornalismo?
Sim, em parceria com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o SindJor-MS como muitos outros sindicatos de jornalistas do Brasil, apoiam a volta do diploma para o jornalista.
O mercado de trabalho de Campo Grande possui alguma identidade ou característica que possa prejudicar a classe?
A carga horária do jornalista extrapola muitas vezes, as cinco horas, além da falta de pagamento de hora extra e de banco de horas. Outro aspecto é a excessiva contratação de estagiários e a sobrecarga sobre eles. O estagiário está na empresa para aprender e não para executar a função do profissional.
O SindJor-MS tem força e uma quantidade de jornalistas filiados suficientes para intervir diretamente em situações problemáticas de exploração de empresas perante os funcionários?
Sim, e o sindicato faz isso por meio de acordos coletivos, para tentar melhorar a situação dos jornalistas.
Quais as estratégias que o SindJor-MS tem para aumentar o número de filiados?
Tentamos mostrar nosso trabalho. O jornalista interessado pode participar das reuniões, pode conhecer a estrutura, pode conversar com membros da diretoria para saber de mais detalhes. Para atrair o profissional, o sindicato busca também mostrar os benefícios que possui como as parcerias com empresas, com convênios em postos de gasolina, clinicas veterinárias e cinema, por exemplo. Mas deixamos ciente que o sindicato está presente para lutar pelo direito do profissional.
Como o jornalista de Mato Grosso do Sul pode solicitar a carteirinha da Fenaj?
Ele precisa necessariamente comparecer ao SindJor-MS para a solicitação, mesmo que não seja associado.
Para a participação de novos integrantes, o sindicato prioriza alunos de universidades ou profissionais do mercado?
Para integrar o SindJor-MS, basta apenas que o jornalista procure o sindicato. Dentro da instituição existem alguma normas. Para compor a diretoria o jornalista deve, por exemplo, estar formado há dois anos e para concorrer a presidência deve estar formado há pelo menos três anos.
Por que motivo há dois sindicatos de jornalistas em Mato Grosso Sul?
Porque dividimos o estado em regiões. O outro sindicato do estado, o Sinjorgran-MS, atende as necessidades da região de Dourados, que está longe de Campo Grande. Porém, os sindicatos de Dourados e o de Campo Grande, atuam em parceria, sem rivalidade.
O SindJor-MS necessita de uma renovação?
Renovação é sempre bem-vinda. Os diretores atuais estão aqui há um longo tempo e são pessoas de grande experiência. Mas toda experiência é melhor trabalhada quando existe a mistura com pessoas que tem novos ideais e novos objetivos.