Muitos se espantavam quando percebiam as distâncias que alguns estrangeiros tinham percorrido com o único propósito de ser voluntário na Copa do Mundo. Porém, quando perguntados, todos se orgulhavam de estar contribuindo para a realização do evento. Tais declarações me fizeram pensar: será que nós brasileiros, nascidos no chamado “país do futebol”, não demos a devida importância ao evento realizado em nosso solo?
Enquanto alguns ameaçavam em redes sociais com o lema “não vai ter copa”, o trabalho dentro da arena seguia. Espaços livres eram transformados em centros com as mais diferentes finalidades, contêineres e equipamentos de filmagem caríssimos eram instalados e tudo era vistoriado ao menos uma vez por dia. Todo o esforço resultou no que foi eleito por jornalistas internacionais como o melhor mundial de todos os tempos, e a Arena Pantanal foi eleita pelos espectadores como uma das cinco melhores arenas do país.
Os cuiabanos celebraram os hotéis lotados de estrangeiros - fato que impulsionou as vendas no comércio em 40% -, ingressos se esgotaram rapidamente e os visitantes se impressionaram com a receptividade dos habitantes locais. Teve chileno que gostou tanto da cidade que desistiu de seguir seu time e só saiu de lá após as atividades da arena terminarem, no dia 24 de junho.
Entretanto, nada é perfeito. Das 58 obras propostas em Cuiabá, menos de 20 ficaram prontas a tempo do mundial. Da arena mato-grossense somente restará a estrutura e algumas cadeiras. Toda a estrutura construída em volta do local era provisória, e a arena que sediou quatro jogos do evento esportivo se transformará em somente outro estádio caro demais para se manter em uma cidade com somente times de terceira e quarta divisão.
Grande parte das outras 11 cidades-sede enfrentaram o mesmo problema. Atrasos na construção e superfaturamento na construção dos estádios foram comuns. A Arena Pantanal custou por volta de R$ 600 milhões de reais, a mais cara de todas as construções realizadas para a Copa do Mundo, e até uma semana antes de seu último jogo não se sabia o que seria do investimento após o término da competição. Agora se fala em passar a administração do local para uma instituição privada e diminuir a capacidade de torcedores da construção.
Poderia ser melhor? Poderia. Mas essa é a beleza e o horror do futebol: depois que a bola entra em campo, o mundo ao redor da Arena some e nada se lembra do que aconteceu em seu entorno. E, por um momento, todos somos patriotas, orgulhosos de nossos países e seleções, independente de resultado.