COMUNICAÇÃO E DIVERSIDADE

Comunicador tem papel fundamental no respeito às diferenças

Professora defende que profissional da área deve promover a diversidade

Ela esteve em Campo Grande para falar sobre como a comunicação pode promover reflexões sobre as ações afirmativas, que são políticas ou medidas adotadas para eliminar desigualdades resultantes de processos históricos, ideológicos, culturais e socioeconômicos, como cotas raciais e uso do nome social, por exemplo. Ela discutiu o tema no minicurso “Ações afirmativas – o que a comunicação tem a ver com isso?” que ministrou no Congresso de Ciências da Comunicação da Região Centro-Oeste, o Intercom, realizado na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul entre os dias 11 e 13 de junho.

Quem participou da oficina foi desafiado por Luciene Dias a rever a forma como inclui e trata pessoas com deficiência e de distintas raças, condições socioeconômicas e orientação sexual nas atividades que desempenham ou vão desempenhar no âmbito da comunicação. O grupo foi composto por estudantes e profissionais de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Brasília e Goiás.

A estudante de Jornalismo da UFG, Elisama Ximenes, participou da oficina porque acredita que refletir sobre o assunto “auxilia na formação humana do jornalista, até porque formação não é só aprender as técnicas da profissão”. Ela, que tem também a antropologia como área de interesse, diz que a falta de conhecimento a motivou a buscar informações sobre ações afirmativas.

Consciência das diferenças

Respeitar as diferenças não é o mesmo que lutar por uma sociedade em que todas as pessoas, independente de suas condições, tenham que respeitar as mesmas leis. A professora explica que as pessoas pertencentes a grupos de exclusão precisam de políticas afirmativas porque não tiveram as mesmas oportunidades e, portanto, não é possível que disputem de maneira igual.

Luciene Dias defende que o profissional da comunicação deve compreender a realidade em que estas pessoas estão inseridas, interagir com elas e estabelecer um diálogo com ela. “É possível ao comunicador compreender a organização do real e exercer algum controle, tomar a palavra”.

A jornalista Tainá Jara, repórter do Top Mídia News, portal de notícias de Campo Grande, procura escrever assuntos em relação aos grupos socialmente excluídos quando surge alguma oportunidade. “É preciso ter consciência de que as desigualdades existem, e sempre que há uma brecha, tento aproveitar”. Ela, que se considera parda na cor da pele, acredita que a variedade de raças dentro das redações jornalísticas é importante. “Se a pessoa é negra ela vai em uma favela a trabalho e vai ver aquilo com outros olhos. Se vai em uma cadeia, vai notar que há mais negros do que brancos, por exemplo”.

Para a repórter do portal de notícias Correio do Estado, também de Campo Grande, Maressa Mendonça, “Com certeza quando fazemos parte do grupo sobre os quais estamos escrevendo, o tratamento da informação é diferente”.

Para a professora Luciene Dias, tanto o jornalista quanto os demais comunicadores devem “se colocar no lugar do outro e ser capaz de fazer mudanças em favor da cidadania e equidade, reformular conceitos” e, sobretudo, promover “pequenas revoluções cotidianas na sua realidade”.

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