SAÚDE

Homeopatia constitui alternativa nos tratamentos convencionais

Método ainda divide opiniões de especialistas na Capital

Alessandra Marimon e Camila Mortari 3/07/2014 - 08h05
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Muitas pessoas procuram a homeopatia como uma forma de tratamento alternativo aos remédios convencionais, conhecidos como alopáticos. O método terapêutico é reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina do Brasil (CFM) como uma especialidade médica, mas ainda divide opiniões de médicos e farmacêuticos em Campo Grande.

Segundo a farmacêutica homeopata Ana Paula Busato, a homeopatia pode tratar qualquer tipo de doença. Para a homeopatia, a doença é uma perturbação da “força vital” de cada pessoa. “A partir do momento em que você reequilibra sua força vital com o tratamento da homeopatia, os sintomas tendem a sumir. O próprio método reconhece os sintomas como uma reação contra a doença".

A terapia homeopática é, frequentemente, indicada para problemas do trato gastrointestinal, ginecológicos, dermatológicos e respiratórios. Além disso, Ana Paula Busato afirma que é possível buscar a cura para problemas emocionais, como a depressão.

A farmacêutica homeopata ressalta ainda que os remédios homeopáticos são criados de acordo com as necessidades de cada paciente, diferente dos remédios convencionais, que são sintetizados em grande escala.

A estudante do 5° ano de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)Mayara Morello, comenta que um dos princípios da homeopatia é o da “superdiluição”: “Pequenas porções da solução total ao menos teriam o componente que está dissolvido, que seria o princípio ativo”. A homeopatia trabalha com medicamentos que são diluídos e dinamizados em água até o ponto de não restar mais traços deles no líquido. De acordo com Ana Paula Busato, a água tem uma capacidade de “memória” e a ação biológica do remédio homeopático se deve a essa informação remanescente.

Apesar de ser uma prática reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a evidência da eficácia ainda é contestada por alguns órgãos oficiais e especialistas da área de saúde. Em 2010, a comissão de Ciência e Tecnologia do Parlamento Britânico emitiu um relatório em que afirma que remédios homeopáticos não têm eficácia.

A medicina convencional acredita que os homeopáticos atuam de forma semelhante ao placebo, que são remédios sem nenhuma substância ativa, mas apresentam efeitos terapêuticos. Portanto, os efeitos do tratamento seriam meramente psicológicos e dependeriam da crença do paciente que será tratado.

De acordo com o farmacêutico, Gustavo Pires, de fato não há nada que comprove a eficácia do remédio homeopático. Ele acredita que muitas vezes por ter um baixo custo do que o remédio tradicional e as pessoas acreditarem que o remédio homeopático causa menores danos a saúde, algumas pessoas preferem esse tipo de tratamento. "Não há confirmação científica se a homeopatia realmente funciona, eu particularmente acredito mais em estado psicológico de melhora".

A OMS reconhece a prática, mas em 2009 enviou uma carta para a organização Voice of Young Science Network que condenava a promoção do uso da homeopatia sem o acompanhamento de métodos alopáticos. Segundo a OMS, a homeopatia é a “medicina não convencional” mais difundida no mundo. Segundo a farmacêutica Ana Paula Busato, não existe, pela ciência, um mecanismo de ação definido. “A bioquímica não explica a homeopatia. (...) Hoje, o que se tem da homeopatia é a evidência da eficácia”.

A farmacêutica Ana Paula Busato contesta as afirmações e diz que não há contraindicações para utilizar homeopáticos. “Os medicamentos podem ser usados com segurança em qualquer idade, desde o recém-nascido até a pessoa mais idosa, inclusive animais domésticos podem usar”.

Ana Paula Busato resume, a seguir, a diferença entre o medicamento convencional (alopático) do homeopático:

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